- Mãe, você continua se impressionando mesmo após todos esses anos? - A voz aguda da menina quebrou o silêncio que até alguns minutos atrás tomava conta do quarto.
- Ahn?
Raramente as duas se entendiam de primeira. O Q.I. acima da média da filha já havia sido diagnosticado há muito, mas ainda era complicado para a mãe lidar e se acostumar com a ideia de ter uma pequena gênia, sempre tão precoce, dentro de casa.
- Esse processo pelo qual nós passamos, mãe. De dentro para fora, você sabe, quase como uma explosão. Sempre intenso como o sangue que corre em nossas veias e por muitas vezes doloroso. Capaz de nos deixar tristes, sensíveis, carentes, irritados ou, simplesmente, indiferentes. O bom é que até mesmo a dor é sinal de saúde nesse caso, não? Sinal de normalidade. Já a indiferença, essa ocorre sempre que deixamos esse fantástico fenômeno passar despercebido. No final, porém, sempre somos pegos de surpresa e aí já é tarde demais para nos precavermos e só nos resta agir e seguir em frente.
A menina parou de falar por alguns instantes e, enquanto retomava o fôlego que perdera, se perdeu nos próprios devaneios. Subitamente, pareceu despertar de um sono profundo alguns segundos depois e prosseguiu:
- Algumas vezes até chega a deixar aquele gosto de falta na nossa boca, mas, no final, sempre acaba vazando da gente. Você entende, né? Claro que entende.
A mãe permaneceu em silêncio. O seu olhar desnorteado, contudo, deixou tudo tão claro quanto poderia: ela não estava entendendo nada.
- E o que mais me impressiona é que, segundo os livros que li e opiniões que ouvi, na maioria das vezes começa irregular, desorganizada. - A menina continuou, ignorando as expressões da mãe. - E, apesar da pouca experiência, eu concordo com essa primeira parte após tê-la aprendido na prática. A outra, entretanto, já não sei. De qualquer forma, dizem que, à medida que o tempo vai passando, você vai se acostumando e quando percebe já é até possível fazer algum tipo de planejamento, desde que exista uma regularidade, uma rot...
- Ah, meu amor! Nem acredito que a minha menina virou uma mocinha! - Interrompeu antes que a garota pudesse concluir o que quer que fosse. - Não precisava dar tantas voltas só para me contar que ficou menstruada, meu anjo.
- Ahn? - Era a filha quem não entendia dessa vez. - Eu só estava falando da vida, mãe. Da vida...
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Ficou horrível, eu sei. O objetivo era a ambiguidade, mas nem sei se deu muito certo. Enfim, tô MORRENDO de sono. Fui inventar de tomar um remédio para a gripe e tô me sentindo dopada. Nem sei como tô conseguindo escrever.
