"Sou uma mulher madura que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança, sou uma criança que atura."
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Caminho em frente pra sentir saudade

Andava distraída quando a embalegem roxa e metalizada brilhou sobre a prateleira do mercado despertando a minha atenção. Aquela cor, aquela letra, aquele pacote. Tudo era familiar para mim. Sim, eu sabia que era. Porém, onde havia visto? Revirei as lembranças tentando encontrar qualquer registro que pudesse me fornecer alguma informação, mas não encontrei nada.
Ei, pera aí! Esse não era aquele doce que eu vivia comendo quando tinha uns cinco ou seis anos? Não era embalagem que fazia meus olhinhos brilharem toda vez que voltava da escola e passava pela padaria? Sim, era ela. Aquele havia sido o sabor da minha infância.
E o mais incrível é que eu quase esqueci o quanto era saboroso sentir saudade.



Post super fajuto. Cadê a inspiração que tava aqui? O gato comeu.
Devolva, gato feio, hm! u.u

domingo, 19 de abril de 2009

Até! Que a morte nos separe!


As malas já estão prontas e esperam ao lado da porta pelo seu dono. Quando serão levadas dali, porém, ainda é um mistério, mas os fatos levam a crer que não irá demorar muito até que o "até que a morte nos separe" se transforme em "até! Que a morte nos separe". No banheiro, nem o barulho do chuveiro ligado é capaz de abafar os soluços e o chororô que já tomam conta da casa, bem como o clima de velório.
Separações são sempre delicadas e, infelizmente (ou não), cada vez mais comuns nos dias atuais. Digo ou não porque, embora todos reconheçam a influência que uma família unida e bem estruturada exerce sobre a formação de todo e qualquer cidadão, ninguém pode negar que não existe nada pior do que viver em uma casa que, como um vulcão, ameaça entrar em erupção a qualquer momento. E digo isso por experiência própria.
Filha de pais separados, reconciliados e futuramente separados novamente, devo admitir que custei a entender e a aceitar o fim do relacionamento de dezoito anos. Hoje, porém, mais velha e menos alienada, posso perceber que manter um casamento arruinado desgasta ainda mais do que o poderoso vulcão citado aí em cima, pois, por mais forte que pareçam as 'rochas' envolvidas, a erosão atinge-as em cheio - e as marcas são terríveis: estresse, choro, briga.
As cicatrizes de uma separação são, sim, profundas e custam a curar. As cicatrizes de um relacionamento sem amor, porém... Bom, para essas daí não tem remédio que dê jeito.


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Não tô inspirada ultimamente. Esse aí custou para nascer e, ainda assim, acabou nascendo de cesariana. :\

domingo, 12 de abril de 2009

Eu amo, tu amas, ele não me ama


"Como pode ser gostar de alguém
e esse tal alguém não ser seu?"
Amado - Vanessa da Mata


Cruel. Eis um adjetivo que poderia descrever com precisão um amor não correspondido. Ainda pior do que ser cruel, porém, é ser uma unanimidade. Quem nunca passou por uma situação dessas que atire a primeira pedra, mas já sabendo que não está, nem de longe, vacinado contra esse mal que cedo ou tarde acaba atingindo e magoando a homens e mulheres de todas as idades. Como você passará por esse triste (e mais comum do que parece) episódio, porém, é outra história - e, apesar de todos os apesares, o desenvolvimento e o final são sempre escritos por você.
O que acontece, no geral, é que os fatos são sempre os mesmos: você gosta da criatura e planeja um lindo final feliz para vocês; a criatura, no entanto, resolve se apaixonar por outra pessoa ou simplesmente insiste em não ver que você está mandando sinais de fumaça bem ao lado dela e fazendo de tudo para ser notado. E então você percebe que o final feliz não vai ser tão feliz assim, pelo menos não para você. Será? Embora temperar tais fatos com doses extras de esperança, sonhos e ilusões não seja a melhor das soluções - afinal já diziam: quanto maior a altura, maior a queda -, desesperar-se e achar que tudo está perdido não são as atitudes mais apropriadas.
O amor, tão complexo e indescritível quanto o verbo amar, é questão de sorte, de tempo, de vida. É preciso maturidade para saber as respostas para questões básicas que, apesar de conhecidas por todos, dificilmente são compreendidas quando não se frequentou a melhor dentre todas as instituições de ensino: a escola da vida. Requer tempo e experiência para que você entenda que não é aprisionando o outro que você o terá por perto, que nem sempre seremos correspondidos e que o verdadeiro amor é eterno e, preste bastante atenção nessa palavra, recíproco.
Por isso, embora nem sempre o nosso esforço pelo afeto da pessoa amada seja bem recompensado e acabe transformando "cruel" e "amor" em sinônimos, de nada adianta o desespero, o chororô e muito menos os inúmeros "a minha vida perdeu o sentido". Desperdício puro. Acredite: se a sua vida está perdendo o sentido é porque você perdeu o seu próprio amor; e, se você ainda não é capaz de amar a si próprio, também não é capaz de amar a mais ninguém.
A dorzinha de cotovelo e o gostinho de "por que não eu?" existem e vão existir sempre. O que não é válido, entretanto, é achar que amar é a mesma coisa que estar amando, até porque amar não se conjuga no passado nem muito menos no gerúndio.
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Post fajuto. Inspiração tá looonge.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Entrelinhas na telinha

Assim como nas suas novelas de enredos batidos, a televisão também é feita de papéis que, dependendo da aceitação do público e do consequente lucro, podem se transformar em protagonistas ou em figurantes que passam despercebidos. Em um mundo tão cego e alienado pelo supérfluo, porém, trocar gato por lebre e cultura por propaganda tornou-se cada vez mais comum.
Dessa forma, o papel social da TV, muito longe de ganhar uma vaga no elenco principal, acabou entrando em decadência e sendo posto em segundo plano. Embora existam, sim, exceções, o entretenimento saudável e de qualidade destinado à família e à cultura vem se tornando cada vez mais raro na TV aberta, sendo substituído pelos programas de fofoca e pelas novelas do horário não tão nobre assim, sempre recheadas de propagandas subliminares que nos vendem itens desnecessários, mas que passamos a desejar intensamente.
A população carente de educação sistematizada, por sua vez, pouco sabe sobre os tais aspectos sociais e culturais que a televisão deveria vir a assumir. Assim sendo, a falta de opções acessíveis aliada à ignorância fazem dessa massa popular e sem instrução as maiores vítimas do pseudo-entretenimento proporcionado pelas emissoras.
Apesar disso, censurar todo e qualquer meio de comunicação não é nem de longe a solução mais eficaz e pacífica para tal problema, pois, como diria Voltaire, "posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo". O que precisamos, de fato, é uma educação de qualidade e que dê a nossa população o dissernimento para perceber a diferença entre cultura e a alienação presente em cada entrelinha da telinha.

Tema: A responsabilidade social da TV e a volta da censura nos meios de comunicação.

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Sabe aqueles presentes que, embora não sejam caros, ganham um valor imenso? Pois é. Hoje recebi DOIS deles, acredita? Primeiro Lara alegrou o meu dia quando me deu um caderno com a seguinte dedicatória:
"Meu amor :)
Quero que aqui vc escreva os melhores dentre os seus textos. Que um dia eles sejam reconhecidos e que o mundo possa desfrutar do seu talento. *-*
Quando vc for famosa, lembre da sua amiga que te ama DEMAIS! ^^
Ao seu sucesso!
Beijos, Lah Galvão.
02.04.09"
Acho que nem ela tem noção do quanto me deixou feliz com o presente. Enfim, como se não bastasse, a minha Pequena ainda me deu uma pulseira do Bahia que ela mesma fez. Muito fofa, é sério. Me senti como uma criança de 5 anos ao colocá-la no pulso. Simplesmente adorei, e digo isso do fundo do meu coração.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sem rendimento

Muda. É assim que eu me sinto quando isso acontece. Olho para o papel, para a caneta, leio e releio o tema proposto. Esboço uma tese e tento dar ao texto cara de dissertação, mas nada me agrada. É como se a folha estivesse ali só para me desafiar e - cruelmente - me vencer. Uma verdadeira e constante batalha, sempre em busca da palavra mais adequada ou do parágrafo perfeito que nunca chega.
Insisto. Respiro fundo e procuro pelo ar tentando expulsar tudo aquilo que se mantém preso na garganta. Desde os primórdios, a... Não. As inovações no idioma garant... Definitivamente não. O tic-tac do relógio torna-se cada vez mais audível e abafa os pensamentos que tentam (sem sucesso) se formar na minha mente.
Desisto. Como já diziam os mais velhos, um dia da caça, outro do caçador. Hoje, definitivamente, não foi o meu dia.
PS.: E tudo isso só serviu para desencadear uma crise existencial.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Querido diário...

É, querido diário, os tempos mudaram. As suas páginas, antes coloridas e marcadas por inúmeras lágrimas e sorrisos, estão amarelando e sendo substituidas por fotologs, blogs, páginas da web e todo esse monte de palavras complicadas, bonitinhas e, principalmente, importadas. Os diários de "carne e osso" que ouviram pacientemente cada uma das nossas confidências, sem reclamar uma única vez sequer, por tanto tempo, foram substituídos. Que papelão, hein? Jogar para o banco de reservas justamente aquele que nos ouviu sem reclamar, que nos acalmou, que nos consolou... Mas o ser humano é assim mesmo. Ô bichinho egoísta, viu? Só quer saber de progredir, progredir, progredir... E, como se não bastasse, muitos ainda têm a memória curta. Você ajuda hoje e amanhã ele nem lembra o seu nome. Humildade e gratidão estão tão arriscados de extinção quanto político decente. E quem nunca "serviu de agulha para uma linha ingrata" que atire a primeira pedra...
Só sei que é assim que as coisas funcionam. A carta perdeu o lugar para o e-mail, o diário perdeu o lugar para os blogs, o coração perdeu o lugar para a pedra. Mas, apesar disso tudo, não condeno a tecnologia, não. Graças a ela conheço muita gente que nunca teria conhecido, faço muita coisa que nunca poderia ter feito e, embora não tenha nenhum link que libere o cheiro daquela pessoa ou que nos permita tocar no ingresso daquela festa, é aqui que muita gente extravasa quando o bicho pega. A verdade é que a internet tá aí firme, forte e a nossa disposição sem que tenhamos de carregá-la para cima e para baixo. Praticidade, conforto, comididade. Bem lá no fundo é isso que todos nós buscamos. O por quê? Vai entender... Na certa todo aquele papo de que é a curiosidade que nos move seja só... papo. Vai ver, o que nos move, de fato, é esse pecado que já nos é tão familiar nos tempos de hoje: p r e g u i ç a. Sempre tentando poupar trabalho e ganhar um tempinho, até porque tempo é dinheiro e de avarento e de louco todo mundo tem o pouco - quanto aos nossos outros lados, bem, esses devem estar escondidos por detrás de alguma daquelas ferramentas que o Google vive criando. Falando em Google, ainda boto fé que qualquer dia desses ele ganha vida, pula pra fora do computador e sai por aí trabalhando de detetive sob o codinome de G. Earth Holmes. Enfim, no computador ou não, nos tempos de hoje tudo é assim: completamente descartável e descartavelmente completo. Mil funções que não servem para nada, mas que todos querem ter; mil anos esquecidos para cada novidade momentaneamente lembrada... Iludidos são aqueles que ainda acham que alguma coisa no século XXI é insubstituível. Balela pura. Por mais que você goste e seja apegado, a tecnologia trata de arranjar algum substituto à altura - ou que pelo menos tenha um número de funções maior. E assim a gente vai seguindo, sempre preparado para uma possível substituição. Fazer o que, né? A vida é assim mesmo, querido diário, a vida é assim mesmo... E é por isso que (pelo menos) de você e das suas páginas surradas eu não abro mão. Não, isso nunca.


terça-feira, 3 de março de 2009

Cheque-mata

De cima das torres eles nos observam, nos enganam, nos lesam. Fazem de tudo e fazem do tudo um nada. Constroem os seus palacetes dignos de reis e de rainhas com o dinheiro que é nosso, de homens e mulheres honestos, que trabalham, que são peões. Como se não bastasse, estão sempre envoltos pelos seus séquitos e, com muito mais opções de movimentos, sempre dão um jeito de escapar e se esconder detrás da torre - roque!
Longe desse mundo glamurosamente obscuro e cheio de ternos bem recortados, muros altos e seguranças, nós nos vemos obrigados a nos esconder e esconder tudo que é nosso. Roubos, furtos, estupros. A violência chega como conseqüência da desigualdade e nos atinge em cheio. Ataca, assusta, aterroriza. Atinge a tudo e a todos, independente do sexo, da raça ou da religião... Nem mesmo os bispos estão a salvo.
E assim vamos vivendo, à mercê dos maiores culpados - que fazem milhares de promessas de redenção a cada eleição e depois jogam toda a culpa da violência para aqueles que não passam de aprendizes. Mas até quando vamos sobreviver? Até quando seremos só espectadores da triste realidade brasileira, constantemente manchada pela corrupção deles e pelo sangue nosso?
A esperança, porém, persiste bela e vívida como o verde da nossa bandeira. E a gente espera... Espera ansiosamente pelo dia em que os heróis e as heroínas brasileiras montarão em seus cavalos e sairão às ruas, imponentes. Aí, então, Brasil, tu verás que um filho seu nunca foge a luta.
Mas, até que esse dia chegue e devolvam o amarelo das nossas riquezas, cuidado! Em tempos de crise tudo é muito mais perigoso do que parece. Tiram uma vida por qualquer coisa. Um celular mata, algum dinheiro mata, um cheque mata. E, por enquanto, quem diz "xeque-mate" são eles.


Renato Russo já dizia: o nosso suor sagrado é bem mais belo que o teu sangue amargo.