"Sou uma mulher madura que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança, sou uma criança que atura."
Mostrando postagens com marcador Nostalgia e Saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nostalgia e Saudade. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de abril de 2010

Impressão sua

— Por que você tá assim, mô? Tão distante, tão fria.

(Porque, por mais que a minha consciência pese e grite diariamente o quanto é errado continuar fazendo isso, eu não consigo fitar os teus olhos e não compará-los aos lânguidos olhos dele, que ainda me parecem tão mais cheios de brilho e de mistérios na profundidade daquele tom inexplicavelmente negro. Porque, por mais que eu saiba que não devo procurar em você fragmentos que eram exclusivamente dele, é impossível deixar de notar que o sorriso do outro era mais largo e, embora os dentes não fossem tão alinhados quanto os seus, tinha uma beleza única que me enchia com a idéia ilusória de que o amanhã seria ainda mais bonito que o agora. Porque, por mais que eu me sinta um lixo por te comparar e, o que é ainda mais cruel, te rebaixar à posição de segundo colocado sempre, é inevitável pegar o telefone, discar os números da casa dele e só então perceber que liguei errado – ainda que eu possa, eu já não devo contar os pequenos detalhes do meu dia para ele e dizer, ao encerrar a ligação, o quanto me sinto sortuda por namorar o meu melhor amigo. Porque, por mais doloroso que seja (principalmente para mim), é involuntário me pegar pensando cheia de saudosismo nos dias de TPM em que ele vinha me ver e eu esquecia do mundo ao afundar o rosto no seu peito. Porque, amor, por mais injusto que isso seja para você, para nós, ainda não sou capaz de controlar a minha vontade de fugir para longe em meus devaneios. Fugir para um lugar onde exista apenas ele e eu e nada mais. Um lugar onde eu finalmente possa juntar ao presente tudo o que já ficou para trás e, por fim, chamar de amor quem eu realmente (ainda) amo.)

— Eu? Que bobagem, amor! É impressão sua, Di... Vem cá, vem.

domingo, 3 de maio de 2009

Sobra tanta falta


O céu estava exatamente igual ao meu estado emocional: cinzento, instável e prestes a desaguar. Abri a janela recoberta de poeira na esperança de que a brisa morna da noite pudesse tomar o cômodo e acabar com o incômodo da minha mente. Em vão: o gelo que envolvia o meu coração desde o inverno passado continuou intacto e a minha alma continuou a se debater, agonizando de saudade.
Escancarei as portas e janelas, mas o sabor de asfixia continuou a deixar a minha boca quase tão amarga quanto as promessas, dúvidas e dívidas deixadas por você. Desisti. Fui até o jardim e pude ver a primeira gota de chuva cair e tocar com leveza a minha face. Não demorou muito e aquela gotinha foi seguida por outra e mais outra e mais outra. Estava completamente molhada e finalmente podia sentir o vento gélido tocando o meu corpo, porém não sentia frio. Pelo contrário: pela primeira vez em muitos meses estava me sentindo viva. Foi preciso que o céu desabasse em água para que eu desabafasse em lágrimas.
Lágrimas doces, lágrimas salgadas, lágrimas puras, tristes e felizes. Lágrimas. Simplesmente chorei e esqueci de me culpar pelo sorriso que estampava o meu rosto úmido. Desde quando o amor é racional, afinal? Senti cada músculo doer, senti a falta bater. Falta das conversas no meio da noite, das risadas sonolentas durante as madrugadas do final de semana, dos conselhos, das brincadeiras e dos ciúmes bobos... Falta de tudo e de você todo.
Abri os olhos e acordei bem a tempo de ver uma flor multicolorida desabrochar, virar borboleta e voar. Voou, voou, voou. Subiu, subiu, subiu. Subiu tanto que virou estrela, brilhou tanto que virou o anjo que de lá de cima olha por mim.
Acordei bem a tempo de ver que aquilo não era um sonho.

Metade de mim te ama, e a outra metade também. E assim sigo aos pedaços sentindo a sua falta por inteiro.

R.H.C.
Ia colocar o clipe de "O Anjo Mais Velho", mas só tinha vídeos de namorados e tudo o mais. Enfim, mais um texto escrito em uma madrugada chuvosa e saudosa e iluminado pela fraca luz do celular.

sábado, 28 de março de 2009

Sobre feitiços, corujas e sonhos que se perderam

Contos de fadas, de bruxas, de príncipes, de princesas. Contos. Sempre presentes durante a minha infância, só agora percebi a falta que eles fazem e as lições que passaram despercebidas quando criança. Hoje entendo o quanto eles têm a nos ensinar, a começar pela simplicidade que só quem escreve para os ingênuos que apenas se preocupam com a essência, deixando de lado o vocabulário cheio de pretensões, tem a nos oferecer.
Devo admitir que há tempo não parava para ler algo assim, mas foi justamente um conto simples sobre bruxas e uma fonte da sorte que me trouxe de volta a um mundo encantado e cheio de ensinamentos. Lembrei do primeiro livro com mais de cem páginas que li, Harry Potter e a Pedra Filosofal. Lembrei da espera pelos volumes que dariam continuidade ao primeiro, lembrei dos sonhos que tinha com a carta chegando e das desculpas que inventava para justificar o seu atraso - Ah, vai ver a carta ainda não chegou porque as corujas não estão acostumadas com o clima quente, pô...
Que saudade que eu sinto de quando eu simplesmente acreditava em um mundo perfeito. Pouco me importava o que era ou deixava de ser racional. Quem ligava para a tal da lógica, afinal? Eu não! Eu só ligava para os sonhos, para as fantasias e para os feitiços que era capaz de realizar com a varinha feita com a madeira do salgueiro mais nobre e com a pena da fênix mais bonita - ou com o galhinho da árvore do prédio pintado de preto e coberto com fita isolante na parte inferior. Hoje, a única coisa que o meu Accio atrai são os comentários daqueles que já esqueceram o que é ser criança...
Sei que não é, nem de longe, o melhor livro do mundo, mas foi o menino Potter que me viu crescer e me apresentou a um mundo tão mágico quanto aquele onde ele vivia: o da leitura. Só então pude compreender que, como diria Stela Maris, uma livraria nos livraria de uma vidinha insossa. E são por esses e outros motivos que eu luto para manter acesa a chama da infância que existe bem lá no fundo do peito de uma adolescente que tem que se preocupar com todas as exigências desse mundo globalizado que só se preocupa, como diriam os Engenheiros do Hawaii, com um dia super, uma noite super, uma vida superficial.
Saudade do tempo que se foi e que não volta mais. Saudade.





Quanto a lição que o conto me ensinou, bom, aí já é assunto para outro post...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Mudaram as estações, nada mudou...

Olho para trás e me vejo almoçando com os meus pais após chegarmos da padaria. O noticiário do meio-dia anuncia as tragédias, as novidades, o preço do dólar. Ninguém liga para aquele tipo de banalidade e a conversa segue leve como o vento. Olho para o lado e me vejo brincando com a bola de meia nos fundos do curso. Todo o stress do primeiro concurso de peso se esconde por detrás dos canteiros de flores bem cuidados. Olho para o outro lado e me vejo adentrando o portão do novo colégio. Desafio, medo, novo. Tudo me assusta, até que eu me vejo cercada por pessoas maravilhosas e inenarráveis. Juras são feitas, segredos são compartilhados. Toda uma vida dividida entre os velhos novos amigos. Olho para a frente e vejo um espelho torto e sujo refletir a minha imagem que não é mais a mesma de 5 ou 6 anos atrás. Eu não sou mais aquela mesma menina baixinha, gordinha e desajeitada que não sabia o que era mudança. Eu não estou mais cercada pelas mesmas pessoas e já não faço pactos que eu não sei se poderei cumprir. Ainda continuo insegura, cheia de dúvidas e de lembraças de dias que não voltarão. Lembranças de quando brincava de ser escritora usando um caderno velho da Witch ou até mesmo de quando ia ao shopping e comprava 7 anéis iguais para distribuí-los entre as melhores. As melhores se foram, as melhores voltaram. Talvez as melhores tenham viajado para longe e me deixado ou quem sabe eu tenha deixado as melhores escaparem por entre os meus dedos gélidos. Vai saber o que aconteceu. Só sei que as pessoas mudaram. Hoje estou cercada por seres maravilhosos e que só me fazem o bem. A Carioca, a de Brotas, a de longe, as de longe... Enfim, pessoas especiais. Quanto as melhores? Essas jamais serão esquecidas, ainda mais aquela que se manteve ao meu lado mesmo estando tão longe.

E na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais.

Ah, como eu queria tudo de novo... o passado e o presente unidos em um só futuro: o meu, o nosso. Como queria poder ter a certeza de que os sonhos serão eterno, irmãs, e que eu poderei ter você ao meu lado de novo, pequena. ♥


Saudade de quando eu sabia o verdadeiro significado da palavra ingenuidade...